As mulheres na mídia: mudando radicalmente os estereótipos
- Adriana Borowski

- há 1 dia
- 5 min de leitura
Você está preocupada porque tudo o que sua filha vê em revistas e nas telas são imagens ilusórias de mulheres 'perfeitas'?
Meninas cada vez mais novas estão sob pressão crescente para serem 'perfeitas' e isso deixa qualquer mãe ansiosa. "Eu acho muito preocupante que exise muito pouca diversidade na cultura voltada para pré-adolescentes e adolescentes," diz Gill, mãe de Kirsty, 13, e Natalie, 11. "Estou desesperadamente procurando por exemplos melhores para minhas filhas porque chega uma hora que adolescentes começam a prestar mais atenção no que vêem na televisão e na internet."

É por isso que montamos um divertido plano de atividades, uma lista de ações para ajudá-las a confrontarem os esterótipos e que permitirá que vocês mudem radicalmente essas preconcepções.
Fatos sobre os estereótipos na mídia
"Uma das maiores causas da autoestima cada vez mais baixa entre jovens é que eles não vêem o que os torna únicos refletido na mídia que os cerca," diz a Dra. Susie Orbach, proeminente psicoterapeuta britânica. "Eles vêem tantas imagens retocadas de homens e mulheres que a ideia de como eles devem ser infiltra suas mentes, fazendo com que eles sintam que o que os torna maravilhosos não é suficiente."
Quase metade das meninas com idade entre 12 e 15 anos lêem revistas, sites, blogs e redes sociais todos os dias.
Estudos como Imagem Corporal: Uma Introdução a Campanhas Publicitárias e Imagem Corporal mostram que folhear revistas por apenas 60 minutos diminui a autoestima de mais de 80% das meninas.
Considerando que a gordura corporal da maioria das modelos e atrizes é pelo menos metade daquela de mulheres saudáveis, não é de se surpreender que 6 entre cada 10 meninas adolescentes acham que seriam mais felizes se fossem mais magras.
Precisamos ensinar nossas filhas a entender melhor como funciona a mídia e compreender que essas imagens não são reais.
As mulheres e a mídia: a conta não fecha
Você pode ficar impressionada com o fato de que aparecem três vezes mais homens do que mulheres em filmes de família. Essa foi a conclusão da pesquisa "Desigualdade de gêneros no conteúdo cinematográfico?" Um olhar sobre mulheres nas telas e por trás das câmeras nos filmes com maior arrecadação em 2008.
No que diz respeito a imagem corporal, a conta também não fecha. Mulheres tem o dobro de chance de aparecer em cena com uma cintura fina e é quatro vezes mais provável que mulheres sejam mostradas usando roupas provocantes.
E o que dizer daqueles tipos de artigo, como 'chocante: celebridades sem maquiagem', que sempre aparecem nas revistas de fofoca? Apesar de as revistas insistirem que esses artigos são publicados para fazer com que nós, as 'pessoas normais', nos sintamos melhores, o contrário é verdade.
Em uma pesquisa recente conduzida pela Girlguiding, 88% das meninas entrevistadas afirmam que jornais e revistas deveriam parar de criticar os corpos das mulheres.
Ao ajudar sua filha ou outras meninas a avaliarem criticamente os veículos de notícia que elas consomem, você ajudará a desenvolverem um olhar clínico e assim evitarem comparações potencialmente danosas.
Quando elas aprenderem a diferenciar entre o que gostam e o que não gostam na aparência das mulheres famosas, passarão a se sentir mais confiantes para expressarrm e aproveitar seu próprio estilo.
Sigam juntas nossa lista de ações para fazer as garotas começarem a pensar sobre como as mulheres são retratadas na mídia. Alteramos os nomes das pessoas cujas histórias compartilhamos nestas páginas para proteger sua privacidade, mas todas as histórias são verídicas.
1. Dê início a uma conversa
Da próxima vez que assistir a um filme ou série de televisão favorita das meninas, converse com elas depois sobre as personagens femininas. Quantas eram? Quais empregos elas tinham e qual era seu papel na história?
Infelizmente, as mulheres geralmente são uma mãe sem graça ou namorada, o que não representa a diversidade da vida das mulheres de hoje em dia. Mesmo quando a personagem é advogada, médica ou engenheira, elas são sempre maravilhosas, sugerindo que isso é essencial para que mulheres sejam bem-sucedidas.
2. Busque inspirações
Pergunte para as meninas porque elas acham que a mídia relega mulheres a papéis tão limitados e como ela se sente com relação a isso. Ela consegue pensar em filmes e livros nos quais a heroína é mais inspiradora?
3. Imagine algo melhor
Se sua menina fosse a personagem principal de um filme, ela gostaria de ser famosa por qual motivo?
4. Reveja as regras para revistas
Juntas, folheiem revistas e arranquem imagens de mulheres em propagandas, sessões de fotos e entrevistas. Depois, brinquem de 'jogo dos sete erros', elenquem todas as semelhanças que virem e circulem tudo o que representa uma imagem mais real ou diversificada das mulheres.
5. Celebre as diferenças
Converse com as meninas sobre como o que é 'diferente' pode ser lindo e como as pessoas da vida real se comparam aos padrões de beleza veiculados na mídia.
6. Saiba distinguir entre fatos e ficção
Discutam sobre as roupas e estilos que estão nas revistas. Explique que esses visuais foram cuidadosamente selecionados por estilistas profissionais para melhor combinar com a modelo ou celebridade.
O que mais foi feito para aprimorar a aparência da modelo e como essas características se comparam à realidade?
Quais roupas e cores sua filha acha que lhe caem bem? Quais são melhores para você?
7. Comece uma mudança radical diferente
Tentem 'mudar' uma página de revista juntas, para que ela passe a refletir as mulheres e meninas reais que sua filha conhece e explorem o que ela preferiria ver. Escrevam suas próprias legendas, desenhem outros itens de vestuário e mudem penteados e cor da pele
Próximos passos
Converse com ela sobre como as imagens de mulheres que elas vêem na mídia as fazem sentir e explorem a ideia de diversidade e diferença.
Incentive as meninas a abordarem o assunto com seus amigos da próxima vez que eles forem ao cinema, lerem uma revista, navegarem pela internet ou estiverem assistindo televisão.
O que as meninas acham de escrever para o editor de uma revista ou blog de celebridade para pedir explicações referentes a como eles retratam mulheres?
Diante de um cenário midiático saturado de imagens retocadas e padrões de beleza inalcançáveis, proteger a saúde mental e a autoestima de nossas pre-adolescentes e adolescentes é um desafio urgente, mas perfeitamente possível.
O primeiro passo é romper o silêncio e transformar o consumo passivo de mídia em um diálogo ativo e crítico.
Ao colocarmos em prática estratégias simples, como as sugeridas acima, não estamos apenas apontando defeitos na indústria do entretenimento; estamos equipando nossas meninas com um "filtro de realidade" indispensável para a vida moderna.
Esssa reflexão conjunta permite que elas enxerguem além do photoshop, dos truques de iluminação e das curadorias perfeitas das redes sociais, compreendendo que essas imagens são construções comerciais, e não espelhos da realidade.
Convido você a assumir esse papel de mediadora, usando essas ferramentas para desmistificar a "perfeição" e, acima de tudo, para celebrar a autenticidade e a diversidade que tornam cada menina única.
Ao ensiná-las a questionar o que vêem, garantimos que elas não sejam enganadas por ilusões vazias, fortalecendo sua autoconfiança para que ocupem o mundo sendo exatamente quem são.

Esse texto é uma reprodução e faz parte do projeto DOVE PELA AUTOESTIMA



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